GO UP
viajar para ver um show

Vale a pena viajar por um show?

Em 2012, peguei o avião para Londres só para ver os Stones. A coisa parecia tão louca que passei a noite em branco no dia em que começou a venda de ingressos. Na hora de confirmar a compra, decidi que era loucura mesmo e não comprei. Arrependida, peguei quase o dobro do preço no dia seguinte em um site de revenda, porque, claro, a venda oficial já estava esgotada.

Fazia cinco anos que os Rolling Stones não se apresentavam ao vivo. Era a comemoração dos 50 anos da banda e não se sabia ainda se haveria ou não uma turnê depois – e muito menos se ela passaria pelo Brasil. E era em Londres, onde tudo começou.

Tem show que é único e ponto. Pode ser uma reunião, um show de despedida ou uma apresentação em algum lugar especial. Se você é fã, vai ser muito mais importante estar naquele momento histórico da sua banda do que ir em todos os brinquedos da Disney, comer nos restaurantes mais chiques de Paris ou visitar todas as igrejas da Itália.

viajar para ver um show rolling stones

Fui. Keith Richards entrou com sua pose e visual de Piratas do Caribe (ou é o pirata que anda como Keith?), Charlie Watts tocou bateria como um gentleman, Ron Wood pulou como criança e Mick dançou como Jagger. Mesmo já uma banda de setentões, os Stones ainda têm uma performance ao vivo vigorosa. Soma-se a isso um repertório invejável com “Sympathy for the Devil”, “Jumping Jack Flash”, “Paint it Black”, entre outros dos maiores clássicos rock.

Foi uma excelente ocasião para finalmente conhecer a badalada O2 Arena, considerada hoje uma das melhores casas de shows do mundo. Com ótimo som e uma boa configuração dos lugares, ela permite uma boa experiência da apresentação, mesmo sendo uma casa para shows de grande porte.  É fácil chegar lá de metro, mas quem quiser incrementar o passeio pode ir também de barco pelo Tâmisa!

viajar para ver um show the o2

Uma viagem especial desse tipo merece um roteiro temático, mesmo que você tenha poucos dias na cidade. Aproveitei para fazer um tour de rock por Londres e passar por alguns lugares que fizeram parte da história dos Stones, incluindo o lendário Marquee Club, onde aconteceu o primeiríssimo show da banda (a casa, infelizmente, fechou em 2008). Também não poderia deixar de ir ao Sticky Fingers, restaurante do ex-baixista Bill Wyman. Uma boa steakhouse regada a rock e com uma bela coleção de fotos do grupo.

De quebra, fiz as minhas compras em uma das lojas de discos e CDs mais bacanas de Londres, a Rough Trade. A loja deu origem a um selo de mesmo nome, bastante importante para a cena de rock independente da Inglaterra. Fui justamente em um fim de tarde em que estava rolando um pocket show na casa, o que é bastante recorrente na unidade da Rough Trade da rua Brick Lane, em East London.

Além de ter sido um dos melhores shows da minha vida, foi sem dúvida uma das viagens mais únicas que já fiz. Os Rolling Stones, aliás, acabaram estendendo a turnê. Vale a pena ficar de olho nas próximas datas confirmadas e, conforme for, planejar a sua viagem também!

The O2
 End: Peninsula Square, London SE10 0DX
Sticky Fingers
 End: 1A Phillimore Gardens, London, w8 7qb
 Tel: +44 020 7938 5338
Rough Trade East
 End: 91 Brick Lane, London, E1 6QL
 T: +44 020 7392 7788

Thaís Viveiro viaja com a passagem aérea em uma mão e ingressos para shows na outra. Pequenos bares de jazz e grandes festivais de rock fazem parte de suas andanças pelo mundo e de seu dia-a-dia em São Paulo. É jornalista e editora do Rockin´Chair, site sobre shows internacionais no Brasil. Nas horas vagas, escreve sobre stand up paddle no blog WeSUP.

Leave a Reply