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Um dia de Bike por Copenhagen

Sei que é clichê sugerir passeios de bike por Copenhagen, mas a magrela é, de fato, o meio de transporte favorito dos locais. Vou descrever a seguir alguns programas para você fazer em um dia de bike pela cidade.

Primeiro: não posso deixar de comentar sobre a relação de amor que a cidade tem com as bicis. A tradição é tão enraizada que os cidadãos mal conseguem explicar o motivo da predileção. Mais saudável, mais rápida, ambientalmente responsável…O que sabemos é que mais de 90% dos cidadãos está satisfeito com a qualidade de vida que a cidade proporciona e mais de 50% usa a bike diariamente.

bikess

Ao chegar em Copenhagen você fica maravilhada com as milhares de bikes trafegando de forma tão organizada e tranquila pelos mais de 350km de ciclovias. Assim como o som de NYC é o som das sirenes, o som de Copenhagen é o som dos pedais.

ciclovias

É uma diversão observar o estilo do povo pedalando, dominando as ruas, parando nos semáforos exclusivos para ciclistas e se equilibrando em uma só perna para atender o celular. É uma bike mais linda que a outra. Os bancos são altos assim como os guidões e isso faz com que a gente pedale com a coluna ereta, parecendo mais esguios.

Cykelslangen
Em 2014, a cidade ganhou a Cykelslangen (Cycle Snake), uma ciclovia elevada de 220 metros. Ela foi criada exclusivamente para ciclistas (4m. de largura) com o objetivo de deixar a área do portos livre para os pedestres. E foi construída com curvas justamente para suavizar as elevações. Fiquei sabendo que os dinamarqueses gostaram tanto da Cykelslangen que estão usando-a também para mergulhar durante os meses de verão, brincadeira que está deixando as autoridades bem preocupadas.

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Como chegar: Fica perto do Shopping Center Fisketorvet.

Christiania – Sim, há algo de podre no reino da Dinamarca.

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A 4,4km de Cykelslangen, está Christiania. Dá pra ir pedalando numa boa.

Trata-se de uma comunidade independente, localizada dentro da cidade de Copenhagen. Em 1971 uma abandonada área militar foi ocupada por artistas, hippies e músicos como uma forma de protesto contra o governo. Hoje são quase mil pessoas vivendo por lá, livres de impostos e com leis próprias.

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O estilo de vida dessa comunidade é todo alternativo e autossustentável. Não existem contratos de aluguel nem propriedades de imóveis. As regras são decididas pelos moradores, em assembleias democráticas. Eu nunca conheci uma comunidade não capitalista que preservasse a liberdade individual, e convivesse pacificamente sem governo e sem polícia. Por tudo isso, a minha expectativa de conhecer Christiania era enorme.

Mas foi uma grande frustração e não recomendo perder mais que 1 hora por lá. Listo os motivos:

  1. É longe e difícil de achar. Como referência, lembre-se que fica perto da igreja Vor FrelsersK
  2. É sujo e tem um clima meio barra pesada. Nem pense em ir à noite pois lá não tem luz elétrica.
  3. Ao chegar, me deparei com um lago e centenas de pessoas sentadas na grama, fumando maconha. Se ainda estivesse rolando um show ou uma apresentação… Mas não tinha nada. Não achei a menor graça.
  4. Tem feirinhas vendendo roupas usadas, tipo aquelas camisetas do Bob Marley e os ponchos multicoloridos da Jamaica. Nada de novidade…
  5. Várias casinhas vendendo artesanatos ligados à maconha. ***Desde 2014, o comércio de cannabis foi proibido por lá.
  6. A cerveja local não é gostosa. Mas é capaz que o fog aromático tenha me impedido de prová-la corretamente, ok?beer-christiania

Resumindo: Christiania não tem nada de “terra livre”. Um total tourist trap.

Saindo de Christiania, você pode pedalar por 2,4km e checar ao Kayak Republic.

kayaklocals

É literalmente uma prainha flutuante no meio da cidade. E os dinamarqueses que AMAM o mar, costumam lotar esse spot. É lá que fica o Kayak Bar, um deck com areia, espreguiçadeiras, drinks e cervejas locais como a Odense Pilsner, da Albani, uma cervejaria que fica a 1 hora de trem de Copenhagen.

kayak tati no fundo

De vez em quando tem bandas de rock animando a galera. Veja a programação dos eventos no site deles AQUI.

Ótimo point para o happy hour. Numa das vezes que fui, estava um pouco noisy porque tinha um bando de ingleses bêbados cantando GOD SAVE THE QUEEN e mergulhando no canal (era a semana do Distortion, que atrai baladeiros de todo o mundo).

Aproveite para experimentar o famoso smørrebrød, um típico prato dinamarquês, feito com uma fatia de pão de forma escuro, manteiga (a melhor manteiga do mundo é a dinamarquesa, fiquei alucinada) e qualquer coisa em cima. Digo qualquer coisa, porque pode ser salmão, carne de porco, … vale tudo! E os do Kayak são imperdíveis.

kayakeando

Dica: Nos meses de verão, o Kayak Republic também oferece tours e cursos de caiaque pelos canais de Copenhagen. E nos demais 9 meses do ano, dá para aproveitar a sauna de lá (quartas à sábados).

A 500 metros do Kayak Republic está o Black Diamond, a construção que abriga a Biblioteca Real e o Museu Nacional de Fotografia. A construção é maravilhosa e o acervo da biblioteca, um absurdo. Lá você vai encontrar manuscritos originais de lendas literárias dinamarquesas como Hans Christian Anderson (aka O Patinho feio, a Pequena Sereia…).

biblioteca real

interior da biblioteca

Siga para o Design Museum que está a 1,8km de distância.

design museum

O Museu, localizado no terreno de um antigo hospital, tem uma exposição permanente de moda, o Klint Café que fica no jardim do museu ( super gostoso) e uma lojinha cheia de objetos de design dinamarquês… descontrole, tá?

design museu

loja do Desing museum

Se você não gastar todas as suas danish krones (moeda local) na loja do Desing Museum, sugiro dar uma passada na COS (Collection of Style). A loja da Østergade 33, fica a 1,6km apenas (5 minutinhos de bike) de lá.

cos 1

COS e seu minimalismo deuso

A marca faz parte do grupo da H&M e traz um estilo minimalista, mais adulto. Boa alfaiataria em peças atemporais. Nada de afetação nem tendências. Eu amei. E o preço é justo.

Cos: Østergade 33
Designmuseum Danmark: Bredgade 68
Kayak Republic: Børskaj 12 - 1221 Copenhagen
Serviço: Royal Library: 1016 Copenhagen

As experiências mais memoráveis das viagens acontecem quando desviamos do roteiro tradicional, deixamos o guia de lado e nos permitimos respirar a atmosfera local, observando o ritmo e as pessoas, e experimentando, sem rumo, esquinas, vielas, cafés, bookshops, parques... Podemos dizer que realmente conhecemos um lugar quando aprendemos a sua história, sua vocação natural, sua cultura, suas tradições e seu povo. É por isso que em minhas viagens faço questão de enxergar as cidades sob a perspectiva de um cidadão local. Essa tática amplia meus horizontes e quebra meus paradigmas. Essa coluna tem o objetivo de estimular a sua vontade de desbravar destinos, através de novos ângulos, fugindo do conceito padrão de turismo.

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