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Pueblos Blancos e Gilbraltar

Europa | junho 2019 |

Para quem leu o último post sabe que almoçamos em Cadiz. Assim sendo, de lá, seguimos para Vejer de la Frontera. Inicialmente nem havia colocado Vejer no meu roteiro. Tinha sugerido para as meninas da Originalmiles hospedagem em Tarifa ou em Arcos de la Frontera. Mas elas me indicaram um hotel boutique muito especial. E foi assim que conheci Vejer.

A viagem após o almoço em Cadiz teria sido rápida, se quiséssemos…. Mas nós gostamos de passear. Vamos devagar, erramos o caminho e paramos para fotografar, sempre que possível. Chegamos em Vejer como o sol se pondo. Tínhamos a orientação de que não dava para ir de carro até o “V…”, nossa morada pelos próximos dias. Então, rodamos até a ruela mais próxima e fomos até o endereço indicado á pé por uns 50m. Não é fácil identificar o “V…”, por fora parece uma moradia local.  Vejer é um dos Pueblos Blancos. Mas só fui descobrir o povoado no dia seguinte.

Clima de romance

Bueno, falemos do “V…”. Pouquíssimos quartos. Salas que ora lembram uma caverna, ora um rooftop com vista para a planície. Quase dá para ver o mar do Estreito de Gibraltar. Ficamos em um suíte com terraço. A decoração contemporânea em construção medieval, paredes claras, iluminação indireta e uma sala de massagem em um porão indescritível (Marque uma massagem para experimentar o ambiente). Só mesmo indo para entender. Em conclusão, é o prato cheio para quem gosta de uma pitada de conto de fadas moderno em suas viagens.

Acordamos para não pegar o carro, que ficou estacionado em uma pracinha atrás da Igreja. Em seguida, caminhamos por onde pudemos na pequenina Vejer. Tomamos cerveja com os locais na Plaza de España… sim tem uma Plaza de España até em Vejer. Ouvimos o lindíssimo sino da Igreja ecoar em todo canto. Roupas esvoaçantes nas janelas, ruelas labirínticas ou sem saída. Primaveras floridas despencando dos telhados tingindo as casinhas brancas. Pequenos portais medievais e palmeiras imperiais. Os moradores em mesinhas nas ruas jogando dominó e aguardando o tempo passar. À noite, jantar no recomendadíssimo El Jardin de La Califa. Apesar de não ser verão, alta estação da região, foi preciso fazer reserva. Menu marroquino, ótimo. E não deixe de visitar os banheiros… não conto para não estragar a surpresa rsrsrs.

Ingleses – espanhóis

Dia seguinte, rumo a Gibraltar. Aliás, fica a dica para quem quiser combinar Espanha com Marrocos. Basta pegar balsa em Algeciras direto para Tanger ou Celta… mas isso é uma próxima viagem.

Gibraltar é território britânico. Não é brincadeira, tem que apresentar o passaporte ou ficar na Espanha. Chega-se ao alto da montanha de teleférico e de lá pegue uma van para um tour até um ponto ainda mais alto de onde avista-se o continente africano. No território inglês a grande curiosidade são os macacos que vivem nos rochedos, soltos. “O macaco-de-gibraltar (Macaca sylvanus), se encontra atualmente em algumas zonas reduzidas dos Montes Atlas no norte de África e no Rochedo de Gibraltar, em Gibraltar. É o único primata, além do homem, que vive em liberdade na Europa.” (Wikipedia). Eles quase desaparecem da região em 1942 e Churchill mandou levar alguns “casais” para assegurar a espécie em Gibraltar.

Na volta, paramos na praia de Tarifa. Amantes de windsurfe e do vento, este é o local da vida! Cerveja com tapas na praça de Vejer e jantar. Dia seguinte, pé na estrada.

Homens caverna

Saída para Granada. Distante quase 350 km, fizemos todas as paradas possíveis. Entretanto, as mais longas foram em Setenil de las Bodegas e Ronda.

Fomos em direção a Arcos. Os Pueblos Blancos estão encravados nas montanhas e pontilham a paisagem. No caso de Arcos de la Frontera, vimos o castelo dos Ponce de Leon da estrada mesmo, preferimos avançar no caminho. Curiosidade: o “de la Frontera” nos nomes das cidades de Andaluzia remonta ao século XII e queria dizer exatamente que estava na fronteira entre os territórios cristãos e islâmicos.

Logo após, paramos para almoçar em Setenil de las Bodegas, o ponto diferente desta viagem. As casas encravadas nas montanhas me encantaram. São apenas 3 mil habitantes e um bando de turistas. Portanto, pare na estradinha antes de chegar ao centro e caminhe até a Calle Cueva de las Sombras onde estão os bares nas cavernas. O pitoresco aqui é que os cristãos de Setenil usaram uma estratégia diferente para se defender dos mouros. Em vez de construírem a cidade no alto, como é comum, esconderam-se embaixo das rochas. Portanto, nada foi cavado. As paredes, das casas ou dos bares, foram usadas para fechar a fenda das rochas aberta pelo rio.

Ronda

De Setenil seguimos para Ronda. Digamos que é certamente o oposto em tudo. Bem maior, no alto de uma fenda sobre o rio Guadalevin. No alto a Puente Nuevo que liga a cidade nova à velha, construída com pedras retiradas do fundo desta garganta. Dessa forma, Ronda tem origem celta e data do século IV a.C. Foi ocupada pelos mouros nos anos 700, quando da invasão da península ibérica, e reconquistada somente em 1485.

E as aventuras não param por aí, também foi invadida pelas tropas de Napoleão. No século XIX atraiu escritores românticos. Mais tarde, o poeta Rainer Maria Rilke, o escritor Ernest Hemingway e o cineasta Orson Welles estiveram por lá. A caixa de madeira com as cinzas de Welles, diretor de “Cidadão Kane”, está no fundo do poço da casa do toureiro Antonio Ordoñez. Mas nem mesmo os cidadãos de Ronda sabem direito desta história.

Por fim, ós tomamos um café no terraço do hotel a beira do mirador que aponta para a Serra de Grazalema. Fim da viagem aos mágicos Pueblos Blancos. Finalmente dirigimos até para Granada. Ate lá, no próximo post.

Serviço:

“V…” boutique hotel em Vejer de la Frontera

El Jardin de la Califa _Plaza de España 16, Vejer de la Frontera – Comida Marroquina Fusion

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