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Pappardelle com dois “p” — No Pippo Restaurante

Pappardelle se escreve com dois “p”. A grafia da massa larga, de 5 cm, acompanhada de diversos molhos, no menu do Pippo Restaurante, em Paraty, não deixa dúvidas. Todos os pratos do cardápio, aliás, levam o nome original, conduzindo a um passeio ainda mais autêntico pela culinária italiana. 

Ao se acomodar em uma mesa do salão principal, não deixe de olhar para cima. As cerâmicas sicilianas que pendem do teto, criando um cenário meio surrealista, lembram a terra do chef e restaurateur Basílio Muscara, mais conhecido como Pippo (também com dois “p”). 

Pippo propõe em seu restaurante, dentro da Pousada do Sandi, uma viagem pelos sabores do Mediterrâneo, inspirado na culinária genuína de seu povo pescador e campesino. Vieiras, vôngoles, camarões e outros frutos do mar, além dos peixes, recebem ali um tratamento delicado, assim como as carnes e as massas artesanais, metade delas preparadas na casa. 

Paixão por Paraty

Em um verão, Pippo descobriu o Brasil e Paraty, praticando pesca submarina. Acabou fisgado pela cidade histórica, onde escolheu viver, há 28 anos. “Gosto da dimensão humana de Paraty. Aqui todos se encontram, se falam, não existe solidão”, diz ele. 

Um dos pratos mais pedidos é o Ravioli dello Chef, uma massa negra com tinta de lula, recheada com peixe, vieiras e camarões. Foi o que escolhi, sem nenhum arrependimento. Outra boa pedida foi o robalo grelhado com lascas de batata e abobrinha, super fininhas e crocantes. 

Carpaccio de polvo

Também com tinta de lula, o menu destaca o Tagliolini alla donna Santrina, em homenagem a Sandra Foz, proprietária da Pousada do Sandi.  A massa leva ovas de peixe, camarões e bottarga. Os peixes são “de primeira linha”. “Quase sempre robalo, badejo e garoupa”, diz Pippo, ressaltando que ele mesmo traz boa parte dos pescados de suas incursões de pesca na baía de Paraty. 

Na entrada, o Carpaccio de Polvo é o que há. No menu de sobremesas, o dilema se estabelece entre a Panacotta de Baunilha e o Tartufo de Chocolate amargo. A carta de vinhos tem bons achados como o Chardonnay San Telmo, de Mendoza, ou o Penedo Borges, Malbec, também argentino, com 14,5% de graduação alcóolica. Raríssimo. 

Para quem busca um bom restaurante italiano em Paraty, fica a dica. Ao fim da noite, no céu da boca, predominam os sabores delicados e a textura peculiar que Pippo procura imprimir em cada prato. Mais do que com dois “p”, tanto o Pappardelle, como o Ravioli, o Spaghetti, entre outras iguarias, ali, são Pratos com P maiúsculo. 

Vá lá: www.pousadadosandi.com.br

Fotos: Arapa

Uma caçadora de histórias e maravilhas. Jornalista, escritora, cantora, viajante, cozinheira , aprendiz de dança, sempre em busca da próxima descoberta que desperte os cinco sentidos: o sabor de um novo prato, drink ou vinho (paladar), uma massagem, mergulho ou algo assim relaxante (tato), uma terapia com óleos aromáticos, chás com especiarias ou aquele perfume inédito (olfato), o pôr do sol visto de um rooftop ou as vistas mais incríveis para o mar e as montanhas (visão), e ainda um concerto, show, som ou simplesmente o barulho das ondas, do vento ou dos pássaros (audição). Rosane Queiroz foi editora da revista Marie Claire e da revista de bordo da GOL. Escreve sobre comportamento, gastronomia, sustentabilidade, viagem e lifestyle em publicações como Viagem e Turismo, Vida Simples, Folha de São Paulo, entre outras, além de atuar em produção de conteúdo de texto para livros. É autora de "Musas e Músicas –A mulher por trás da canção" (ed. Tinta Negra), livro reportagem em que conta quem são as musas inspiradoras de canções da MPB com nomes femininos. Na coluna Os Cinco Sentidos, compartilha experiências colhidas em suas andanças e viagens, com os cinco sentidos bem abertos. Mantém o Instagram @oscincosentidos.

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