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Lua-de-mel em Tiradentes

América do Sul | abril 2019 |

Os cinco sentidos

Igrejas preciosas, cafés charmosos, restaurantes gourmets e ruelas românticas. Do barroco ao contemporâneo, a cidade histórica mineira aguça os cinco sentidos com sua mistura de tradição e novidades. Vale programar uma (mini) lua-de-mel em Tiradentes, para curtir essas e outras delícias gerais.

Caminhar pelas ruas de Tiradentes é sentir o tempo sobre os pés. O calçamento irregular dispensa pressa. Portanto, as pedras contam a idade dos caminhos: os “pés-de-moleque” marcam as ladeiras mais antigas. As “solteironas”, como são chamadas as pedras maiores e desencaixadas, sinalizam as ladeiras de pavimento mais recente. Se é que se pode dizer isso de uma cidade de 300 anos.

Jóia barroca do ciclo do ouro, Tiradentes (200 km de Belo Horizonte e 480 km de São Paulo) se destaca entre as cidades históricas mineiras não apenas pela beleza estonteante. Mas também por ser a menor delas. Com 7.500 habitantes, guarda o clima de vilarejo, enquanto a vizinha São João Del Rey soma 100 mil e Ouro Preto, 90 mil. Por todos os ângulos, a cidade oferece surpresas para os olhos: igrejas do século 18 convivem com o casario colorido, formado por sobrados que abrigam pousadas, restaurantes, cafés, galerias e antiquários. 

Festival na cidade é o que não falta. Pois, tem pelo menos um por mês. Entretanto o mais famoso deles, o de gastronomia, acontece na segunda quinzena de agosto. Motivo de comemoração para o coletivo Tiradentes Mais , formado por empresários da cidade que se dedicam a promover o destino e a hospitalidade mineira. A boa mesa segue entre as grandes atrações. A comida típica é farta nos restaurantes, das receitas tradicionais às cozinhas tailandesa, mexicana, italiana, vegana e alta gastronomia brasileira. Em suma, confira o roteiro de uma (mini) lua-de-mel de fim de semana e programe-se:

Sexta – Do Barroco ao Bacco

Que sorte chegar na sexta-feira! Depois de descansar um pouco na aconchegante Pousada Armazém 26, (veja abaixo em “Onde Ficar”), soubemos que era dia de concerto de órgão na Igreja da Matriz de Santo Antônio. Aquela que fica no topo da cidade, como a jóia da coroa. Os “Concertos ao órgão” acontecem à sextas, às 19h40.

Mas não se trata de um órgão qualquer e sim um dos mais preciosos instrumentos da Minas Colonial. Todo ilustrado em estilo rococó, com oito tubos dourados, o órgão português de 1785 integra o belíssimo interior da igreja. Ao entrar, é difícil não ficar impressionado com a quantidade de ouro e prata na decoração do altar e das esculturas –algumas delas do Aleijadinho, de 1810. Portanto são 40 minutos de música barroca, conduzidos pelo organista Thiago Tavares, com uma breve explicação didática de cada peça. Ouvir um prelúdio de Bach dentro desse cenário é uma experiência para guardar na memória sonora e visual –sem fotos, pois é proibido registrar o interior da igreja. 

Ao fim do concerto, basta descer a ladeira em frente à igreja para, ali perto, chegar ao restaurante Pacco & Bacco. Com pé direito alto, o salão mescla memórias do antigo casarão, com uma luz âmbar assinada por Maneco Quinderé (nome referência na iluminação cênica brasileira) e atmosfera moderna. A adega, com mais de 150 rótulos de todo o mundo, faz jus ao nome do lugar. Logo após, na entrada compartilhada, experimente o Crocante de Cordeiro, uma massinha grelhada recheada com a paleta cozida por 12 horas. Os pratos principais levam nomes divertidos como Costela de Adão, assada e defumada, com purê de mandioca e farofa cítrica, e Bacalhau de Santana, com purê de batatas e vinagrete de pimentões. Com serviço atencioso e um bom Pinot Noir chileno, a noite foi perfeita.

Sábado  –Tour e torresminho

O roteiro pelos becos e bosques de Tiradentes, da Agência Estrada Real , é uma boa para ter uma visão geral da arquitetura e da história da cidade. Ouvir as explicações do guia Fabrício, depois de ter flanado pelo centro sem mapa, é como estudar depois de se formar autodidata. Sabe-se, por exemplo, que o ouro “brotava docemente” das encostas locais. Ao contrário de outros lugares, onde era preciso escavar fundo para tirá-lo. Aprende-se, afinal, que Tiradentes não chegou a viver ali, embora sua estátua e busto façam parte do cenário da antiga Vila de São José, que mudou de nome para homenagear o mártir da Inconfidência Mineira. Entre as sete igrejas, não perca a do Rosário, erguida pelos escravos, com imagens negras. E a das Mercês que, como é costume local, mantém túmulos entre roseiras floridas. 

A caminhada dá fome. Hora de seguir para o almoço no Empório Santo Antônio , Rua Belica, 133, tel. 32 -3355-2433). Fora do do Centro, mas não longe, vale a pena conhecer a comida típica mineira do casal Alexandre e Soraya. O ambiente é simples e o bufê de primeira. Entre as iguarias, bochecha de porco ao vinho, costela no bafo, e o melhor pernil à pururuca da vida. Sem falar no torresminho, escaldado para tirar a gordura e só depois frito. Leve como nunca vi! “Acordamos todos os dias às 4h para preparar tudo”, conta Soraya, sorridente.

Só resta andar um pouco depois da folia gastronômica. Aproveite para conhecer o Museu da Liturgia , único dedicado ao tema na América Latina. Com um acervo de mais de 420 peças sacras dos séculos XVIII a XX, o espaço conta com instalações audiovisuais e terminais multimídia. O expresso da tarde pode ser no Marcas Mineiras , misto de café, loja de decoração e jardinagem, com uma área verde imensa para descansar os olhos e retomar o fôlego. 

Mais tarde, é gostoso circular entre as luzes do sábado à noite. Não perca o cardápio brasileiro contemporâneo do restaurante Angatu .O nome significa“bem-estar, felicidade e alma boa”, em tupi-guarani. O menu, apesar de enxuto, sugere poucos e bons pratos. Nota dez para a entradinha de nhoque crocante com tomatinhos e folhas grelhadas de ora-pro-nóbis. Outra surpresa da noite foi o vinho mineiro Luís Porto. Um syrah sensacional!

Domingo – Queijos e beijos 

Dia de mil e uma possibilidades. Uma delas é fazer o passeio de Maria Fumaça até São João Del Rey. Na bucólica estação ferroviária, uma locomotiva Baldwin puxa vagões antigos, trazendo à memória costumes do século passado. Em boa parte da viagem avista-se o leito sinuoso do Rio das Mortes. Mas fique atento aos horários: saídas de Tiradentes às 13h e 17h, e de São João del Rei às 10h e 14h.

A descoberta do domingo, contudo, foi o restaurante Gourmeco. O casarão de esquina tem decoração acolhedora e despretensiosa. Ali, provamos entrada mais picante do planeta: Mostarda di Cremona com queijos curados. Dio Santo! O italiano Umberto e sua ex-mulher e amiga, a chef Juliana, recebem com bom humor e uma playlist italiana que torna o almoço uma festa! A comida “ítalo-brasileira-tiradentina” vai do clássico Carbonara a receitas de babar, como o Risotto de Lagostim, Camarões e Morangos e o Paccheri com Camarões e Limão. Além disso vale somar a experiência isso um vinho branco Pinot Grigio e, na sobremesa, uma panacota macia de frutas vermelhas. Em suma, um almoço apaixonante!

À tarde, é hora de comprar aquele queijinho, doce de leite ou pimenta em conserva. Os celebrados “queijos da Lúcia” você vai encontrar no recém-inaugurado Janes Apple´s Factory .Aproveite então para provar a famosa “maçã do amor” reinventada, caramelada com chocolate belga.

Em seguida, se deseja comprar algo especial para a casa, o endereço é a Alfaiataria para Casa . Assinado por Daniela Karan, com almofadas de estampas exclusivas chiquíssimas.

A saideira não poderia ser mais saborosa, no restaurante Atrás da Matriz , especializado em pizza e bacalhau. Mais uma surpresa boa: torresminho de pele de bacalhau. Divino! Entretanto só o petisco com uma cervejinha já valeria a noite. Mas ainda provamos o Bacalhau Fumeiro, defumado, com batatas e cebolas. De comer rezando! Na carta de vinhos, bons portugueses para acompanhar e descer a ladeira, mais uma vez, já pensando em voltar.

Onde ficar em Tiradentes

Como é bom chegar na Pousada Armazém 26 ! O casarão de pé direito altíssimo, totalmente reformado, impressiona pelo projeto contemporâneo e acolhedor –ainda cheirando a novo, pois a pousada não tem nem dois anos. No quarto, um mimo: água geladinha com limão siciliano em uma jarra linda, maçãs maduras, biscoitos amanteigados, e um bilhete de boas-vindas. Dessa forma, o lugar traduz o sonho de três irmãs (Mariana, Laura e Elvira), que dominam a arte de receber, atentas a cada detalhe. A decoração mescla móveis antigos, obras de arte e um acervo histórico formado por peças e maquinário de uma antiga tecelagem da família.

O nome da pousada se deve portanto ao número do endereço e a quantidade de acomodações. São 26, em três categorias diferentes, algumas com banheira, outros com espaço para famílias e um com mezanino. Um jardim com piscina e uma réplica de cozinha mineira são espaços comuns para relaxar, tomar um vinho, comer um queijinho. Certamente é preciso passar ao menos três dias para provar cada quitute do generoso café-da-manhã, incluindo receitas de família, como a geléia de mexerica feita pela mãe das proprietárias. No entanto a coalhada caseira com sementes de romã também deixa saudades. Assim como o sotaque mineiro da Mariana, sempre disposta a um dedo de prosa, com ótimas dicas de passeios. Além disso, o bom é que dá para pra fazer tudo a pé, pois a pousada fica a 700 metros do Centro Histórico.

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Quando ir a Tiradentes

Abril é certamente o mês mais movimentado, por conta das festividades da Semana Santa, com lindas procissões e missas. Mas, de um fim de semana avulso aos feriadões e festivais, sempre vale dar uma escapada para curtir a cidade. Assim, confira os principais eventos no calendário do Tiradentes Mais .

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