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Can-can contemporâneo – As plumas e paetês do Paris Merveilles

Uma noite no Lido de Paris. Por um segundo, a proposta soou como clichê. Mas, como todo clichê tem seu lado sedutor, no minuto seguinte comecei a imaginar as dançarinas do can-can, com suas saias rodadas e meias arrastão, entre plumas, luzes e lustres de cristal. Os cabarés parisienses, afinal, habitam o nosso imaginário, desde as cenas de cinema e as pinceladas de pintores franceses como Toulouse-Lautrec.

O Lido de Paris tem sido um ícone da noite parisiense desde que foi inaugurado, em 1946. Assim como o mítico Moulin Rouge, é um dos principais cabarés de Paris. A partir de sua criação, a casa já apresentou 26 espetáculos. Cada show fica em cartaz por alguns anos. É um daqueles programas para fazer ao menos uma vez na vida, quando se tem a chance. Pois no último novembro, eu tive a oportunidade de conferir o recém-lançado espetáculo Paris Merveilles, que entrou em cartaz em abril de 2015.

O glamour começa pela localização: o Lido fica no 116 da av. des Champs-Élysées, quase em frente a estação de metro George V. Na entrada, cintilam lâmpadas como as de camarim e fartos tapetes azuis. A champanhe está inclusa, seja na opção que envolve apenas uma taça (champanhe + show) ou nas boas vindas, no caso do ingresso com jantar para dois (champanhe + dinner).

O salão onde acontece o espetáculo é amplo, em forma de teatro, com mesas e cadeiras. Algumas mesas para grupos ficam na parte mais baixa e, quanto mais no alto, menores são as mesas. O local reservado para dois foi em uma dessas pequenas mesas mais no alto, com ótima vista para o palco. Romântico. Perfeito.

O show, mistura de Broadway com can-can, acrobacias e números de mágica, é realmente grandioso. Imagine que são 200 quilos de plumas e 2 milhões de cristais… Uma das cenas mais incríveis traz as bailarinas penduradas feito sereias em um lustre de cristal gigantesco. A orquestra de 45 instrumentos também surpreende. A cantora solista, com shape de diva do jazz, é sensacional! Os figurinos majestosos, mínimos no tamanho, revelam seios à mostra e bumbuns bonitos, sem cair na vulgaridade. Som, iluminação, efeitos especiais, tudo se impõe impecável.

Entre as sugestões do menu do jantar, recomendo as opções do mar. O camarão com leite de coco, na entrada, seguido de salmão com legumes, se revelou mais saboroso do que a receita de carne vermelha. O jantar, além das duas taças de champanhe, inclui meia garrafa de vinho por pessoa, entre branco, tinto e rosé. O suficiente para ver la vie en rosé

Com 1h40 de duração, o show começa a parecer longo, até que, no auge, um batalhão de bailarinas surge levantando as pernas, dando chutes no ar, suspendendo as saias em cores vibrantes, deixando à mostra as ligas que prendem as meias. Considerada imoral e vergonhosa pelas autoridades e pela sociedade tradicional, a dança que mistura polca e quadrilha, chegou a ser proibida pela polícia, em nome dos “bons costumes”, nos anos 20. Mesmo assim, os cabarés funcionavam clandestinamente.

Nesse clima, o Lido leva a uma leitura contemporânea dos cabarés franceses, em uma noite, no mínimo, mágica. Por acaso, era a noite do meu aniversário. Não por acaso, foi divertido e inesquecível.

Serviço:

As apresentações acontecem todos dias do ano, incluindo feriados. São duas por dia, às 21:00 (champanhe + show ou jantar + show) e as 23:00 (apenas com a possibilidade de champanhe + show). O espetáculo tem duração de 1 hora e 40 minuto. Não é permitido tirar fotos ou filmar durante a apresentação. A recomendação é chegar com pelo menos 30 minutos de antecedência, para ter tempo de retirar os tickets, deixar os casacos na chapelaria e ir até a mesa.

Vá lá:

Mais informações: www.lido.fr

Uma caçadora de histórias e maravilhas. Jornalista, escritora, cantora, viajante, cozinheira , aprendiz de dança, sempre em busca da próxima descoberta que desperte os cinco sentidos: o sabor de um novo prato, drink ou vinho (paladar), uma massagem, mergulho ou algo assim relaxante (tato), uma terapia com óleos aromáticos, chás com especiarias ou aquele perfume inédito (olfato), o pôr do sol visto de um rooftop ou as vistas mais incríveis para o mar e as montanhas (visão), e ainda um concerto, show, som ou simplesmente o barulho das ondas, do vento ou dos pássaros (audição). Rosane Queiroz foi editora da revista Marie Claire e da revista de bordo da GOL. Escreve sobre comportamento, gastronomia, sustentabilidade, viagem e lifestyle em publicações como Viagem e Turismo, Vida Simples, Folha de São Paulo, entre outras, além de atuar em produção de conteúdo de texto para livros. É autora de "Musas e Músicas –A mulher por trás da canção" (ed. Tinta Negra), livro reportagem em que conta quem são as musas inspiradoras de canções da MPB com nomes femininos. Na coluna Os Cinco Sentidos, compartilha experiências colhidas em suas andanças e viagens, com os cinco sentidos bem abertos. Mantém o Instagram @oscincosentidos.

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