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A liberdade é lilás – A magia dos campos de lavanda da Provence

França | julho 2015 |

A memória não esquece aquilo que o coração guardou. Se eu fechar os olhos agora, posso ver os campos lilases e sentir o perfume das lavandas do Sul da França. Faz duas semanas que voltei da Provence. Elas ainda não estavam totalmente maduras, mas já ganhavam a coloração roxa nas pontas, embora ainda verdes perto da raiz. A melhor época para visitar a região é agora, em julho/meados de agosto, quando a paisagem se tinge de lilás e o aroma se solta. Faz lembrar aquela canção do Djavan: “Raio se libertou, clareou, muito mais, se encantou pela cor lilás”.

lavandasHá diversas maneiras de sentir a magia das lavandas: simplesmente parando em um campo e caminhando no meio delas, sentindo o cheiro de alfazema (como se diz no Brasil) e levando alguns raminhos na bolsa, para prolongar o perfume. Uma festa para a visão e o olfato. Isso sem esquecer do poder calmante e curativo dessa flor mágica. E mais: nas feiras livres dos vilarejos, tem sabonetes deliciosos, em peça ou em barra (os famosos de Marseille), velas, sachets, aromatizadores com óleos essenciais. Quer encantar o paladar? Experimente mel de lavanda e sorvete artesanal –também cor de violeta!

lavandasrosane

Foto: Eduardo Amarante

Para chegar perto dessas maravilhas, desembarquei primeiro em Avignon, a cidade murada dos papas, de trem, partindo de Paris. São duas horas e meia a bordo do Ouigo, uma versão do expresso TGV –tão bom quanto ele, só que mais barato (cerca de 25 euros o bilhete). Fiquei a uma hora de carro de Avignon, em Venterol, um bucólico vilarejo de 600 habitantes, cercado por lavandas e vinhedos, pertinho de Nyons, cidade conhecida pelas azeitonas e o azeite fora de série que se produz ali. De carro, imprescindível na região de estradas sinuosas de mão dupla, como nos filmes, o passeio perfeito é percorrer os vilarejos vizinhos, as vinícolas e as feiras cheias de gostosuras. Leia-se queijos, tapenades, azeites, aspargos, cerejas, melões etc etc etc. Tudo, é claro, com uma pausa sem pressa em um dos cafés locais para uma dose de pastis ou uma taça de rosé geladinho.

Valensole é a “capital da lavanda”, onde existe a maior concentração de plantações. Pena que ainda não cheguei lá, mas ficou na saudade. Acredito na máxima de que não se deve esgotar todas as possibilidades numa mesma viagem. É bom sempre deixar algo incrível no imaginário, para fazer na próxima volta. A caminho de Gordes, vilarejo de pedra encarapitado em uma montanha (um dos mais lindos!), é possível ainda visitar o Museu da Lavanda, que conta a história dessas flores e suas mil e uma utilidades na vida e no mundo da cosmética. Claro que o museu tem uma lojinha daquelas que as mulheres adoram. Mas mágico mesmo é colher um buquê de lavandas, sentindo o perfume e o vento no rosto. Coisas que o coração não esquece. Ou comer cereja do pé. Aconteceu comigo, pela primeira vez, e pensei: isso é que é luxo.

sabonetes provence

Quando ir: A lavanda floresce no final de junho e em julho, quando é possível ver os campos ganharem o tom violeta que estampa os cartões postais da região. A colheita geralmente é feita entre 15 de julho e 15 de agosto, sempre em função das temperaturas mais ou menos quentes durante o período de primavera e verão. No início de julho começam as festividades em torno da cultura da lavanda na Provence e elas duram até o primeiro fim de semana de setembro.

Museu da Lavanda: 
Hameau de Coustellet
276 Route de Gordes - D 2 - BP 16 - 84220 CABRIERES D'AVIGNON

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