Home » Na casa de Frida Kahlo

Na casa de Frida Kahlo

México | julho 2016 |

Sensações e cores fortes na Casa Azul, onde Frida e Diego viveram, na Cidade do México

Semana passada foi aniversário de Frida Kahlo. Em 6 de julho, ela completaria 109 anos. E, neste 13 de julho, são 62 anos de sua morte. As fotos, frases e lembranças da pintora mexicana nas redes sociais me lembraram de uma das viagens mais coloridas e apimentadas do meu passaporte, que vou compartilhar por aqui neste mês, a começar pela inesquecível visita a Casa Azul, ou Museo Frida Kahlo, ou melhor, a “casa de Frida”.

O bairro colonial de Coyoacán, onde a pintora nasceu, era um antigo subúrbio, hoje repleto de cafés, restaurantes e galerias de arte. As casas, contudo, continuam como há 500 anos. A mais famosa é a Casa Azul, onde ela viveu com seu amado Diego Rivera e morreu, aos 47 anos, vítima de uma embolia pulmonar agravada pela saúde frágil que marcou sua curta e intensa existência.

O azul-cobalto das paredes externas foi escolhido pelo casal para afastar os maus espíritos. As molduras e detalhes em vermelho, verde e amarelo remetem às tintas fortes dos quadros da pintora. A cozinha, toda amarela e cheia de sol, reflete o quanto a comida e o ambiente eram cultivados com alegria. A arquitetura espanhola, com um jardim no centro, leva a um labirinto de sensações, diante das memórias de Frida e Diego por toda a casa. “No me olvides, amor mio”, é a frase bordada em ponto cruz na almofada do quarto dele.

Frida

Mas o lugar mais fascinante, para mim, foi o hall da escada que leva ao quarto de Frida. Tudo vai bem no térreo. A partir dali, seguindo para o andar de cima, o clima se torna pesado, como se as paredes estivessem impregnadas do sofrimento da pintora por causa de sua coluna irremediavelmente esmagada em um acidente na juventude.

A parede lateral da escada é forrada com 470 ex-votos mexicanos, pequenos quadros que ilustram um sofrimento superado, com agradecimento a um santo, que Frida, mesmo descrente em Deus, colecionava. A guia do museu conta que, no início do século, os fiéis acreditavam que depois de pintar o sofrimento em uma pequena tela e pendurá-la na igreja, a dor ficava para trás. “Frida colocava sua tristeza no quadro e voltava a sorrir”, me disse, na época, Martha Zamora, biógrafa da artista.

frida kahlo-2

Ao entrar no quarto de Frida, senti uma angústia inexplicável. Estão ali a cadeira de rodas (aos 46 anos, depois de 22 operações na coluna, ela chegou a amputar uma perna) e a cama com um espelho no teto no dossel, que ela usava para pintar, deitada, seus famosos autoretratos. Na parede, uma foto de Mao Tsé-Tung e uma frase indecifrável. “São as iniciais das amantes de Diego”, diz a guia do museu.

Atualmente, quem vai a Cidade do México pode conferir a exposição “As aparências enganam: os vestidos de Frida Kahlo”, mostra que traz boa parte do seu guarda-roupa, “descoberto” na casa em 2004. Dona de um estilo próprio inconfundível, com suas batas típicas bordadas e saias rodadas, inspirou estilistas como Jean Paul Gautier e segue inspirando designers e artistas do passado e do presente. “Frida não era triste, como muitos pensam. Ela tinha suas dores, mas amava a vida e era muito divertida”, afirma sua biógrafa. A última tela que ela pintou, parte do acervo permanente, confirma a tese. É o quadro das melancias, em que se lê a frase: “Viva la vida!”.

Frida

Entre em Contato

Ligue para +55 11 3287 6886 ou deixe sua mensagem