Home » Expedição Katerre – Diário de bordo I

Expedição Katerre – Diário de bordo I

Brasil | outubro 2019 |
barco-na-amazônia

A experiência a bordo de um barco na Amazônia possibilita uma conexão verdadeira intensa com a região

Uma semana diferente. Sem acesso a internet ou telefone. Mas com uma conexão profunda, verdadeira e intensa com a Floresta, seus sons e seu silêncio. Tive a oportunidade de conhecer um pedaço inóspito e especial do nosso país através da Expedição Katerre, que leva pequenos grupos para essa aventura única no planeta. Fiz um diário de bordo para compartilhar a minha experiência a bordo de um barco na Amazônia:

1º dia

O ponto de partida é Novo Airão, a cerca de 200 km de Manaus. A viagem dura por volta de 2h30/3h. A primeira parada, antes mesmo de embarcar, já é incrível: almoço no restaurante Flor do Luar, à beira do majestoso Rio Negro. Nesse primeiro contato com a Amazônia,  facilmente me dei conta da imensidão desse tesouro brasileiro.

Depois de comer um delicioso peixe tambaqui, com farofa, banana da terra e baião de dois, começou a expedição Katerre. Foram 4 noites embarcados no Jacaré Açu, um barco de três andares, com 8 suítes, cada uma com seu banheiro privativo. No térreo são 4 suítes, a cozinha e uma mesona, que é o ponto de encontro do grupo. No segundo andar ficam os outros 4 quartos e uma área de lazer com televisão, para assistir filmes e documentários. Já no o último andar do barco na Amazônia , um terraço delicioso para tomar sol e curtir a vista –inacreditável. 

Navegar durante cinco dias pelo Rio Negro, explorando sua riqueza natural e cultural, é uma vivência única no planeta. As primeiras três horas pelo Complexo de Anavilhanas foram puro êxtase. O Parque Nacional Anavilhanas é o segundo maior arquipélago de Ilhas fluviais do mundo. Navegar pelas águas escuras e límpidas do Rio Negro, passa uma sensação de liberdade e pertencimento ao mesmo tempo.

Eu nunca tinha visto uma paisagem igual. A água espelha a vegetação do entorno, criando um efeito duplo. A luz do pôr-do-sol tornou tudo mais lindo ainda.Durante o percurso, em direção ao Mirante do Madada, pudemos conhecer a equipe do barco da amazônia , que fica o tempo todo atenta e à disposição. 

À noite, no Mirante do Madada, havia a opção de dormir em redes, ao ar livre. Confesso que fiquei receosa, a princípio. Mas decidi arriscar e não me arrependi. Escutar o som da natureza foi uma belíssima trilha sonora para cair no sono rapidamente. A mistura das melodias de insetos, aves, répteis, junto a delicadeza do vento acariciando as árvores, criou a sonoridade perfeita.

2º dia

Antes do amanhecer fomos despertados pelo guia Josué para presenciar o nascer do sol. Começamos o dia energizados. Como ainda era cedo, deu tempo de praticar yoga –e eles têm até tapetinhos! –antes de se deliciar com o café da manhã. Tudo é feito no barco, desde o pão de leite, o bolo, o pão de queijo, a tapioca, o ovo mexido… Precisa dizer o quanto era gostoso?

Enquanto apreciávamos o banquete, o Jacaré Açu cortava o rio, em direção ao início da trilha para as grutas do Madada. São cinco quilômetros, mas nem vi o tempo passar, respirando o ar puro da Floresta e aprendendo sobre importantes medicinas naturais, fauna e flora.

Em seguida, navegamos por mais três horas até a Praia do Sono. Aqui, vale uma observação sobre a época do ano para visitar a Floresta Amazônica. Em janeiro, começa a época de chuvas, que perdura até meados de junho. Em julho, por sua vez, a água atinge seu nível máximo. É uma coisa impressionante, pois são 12 metros de variação! Já de agosto a dezembro é a época da seca. Por isso, em setembro, começam a surgir as belíssimas praias do Rio Negro. Ou seja, em cada época do ano há uma paisagem diferente, pois o visual está em constante transformação.  

Após curtir um stand up, brincar com uma bola, nadar pelas águas escuras e mornas e avistar alguns botos cor-de-rosa –isso em um dia de semana comum! –navegamos por mais duas horas até Meduinim. Nesse local, nos preparamos para a focagem noturna de jacarés. A habilidade com que o guia Josué foi capaz de capturar um jacaré vivo é surpreendente. Tranquilamente, com o bicho nas mãos, ele nos explicou cada detalhe da espécie, que valeram por todas as aulas de biologia da minha vida. 

Quando retornamos ao barco, o jantar estava servido. Por volta de 21h, nos deliciamos com mais uma refeição e caímos no sono. Na floresta se dorme cedo, pois o despertador do dia seguinte tocaria 5h30 AM.

3º dia 

A experiência a bordo de um barco na Amazônia é realmente especial. Acordamos e os botes estavam prontos, com as varas e as iscas. Hora de pescar piranhas! Adentramos o afluente e escolhemos um ponto estratégico para começar a pescaria. Devo dizer que foi fácil garantir o jantar, pois pegamos um peixe atrás do outro! O difícil era tirar o anzol daqueles dentes afiados!

De volta ao Jacaré Açu, o destino da vez era o Parque Nacional do Jaú, o segundo maior Parque Nacional do Brasil. A primeira parada foi a Cachoeira do Carabinani, que ainda não estava muito à vista por conta do rio cheio. Mesmo assim deu para curtir. Voltamos para a embarcação e zarpamos em direção a Comunidade Cachoeira, onde pudemos conhecer os moradores e o estilo de vida da floresta. Um choque de realidade.

Vou abrir um parêntese para falar sobre o trabalho por trás da expedição Katerre e do Mirante do Gavião. Além de proporcionar uma experiência única e enriquecedora para os participantes, existe todo um propósito social que move esse trabalho. Boa parte da renda advinda das vendas são revertidas em projetos sociais e investimentos para a comunidade local. A Comunidade Cachoeira foi beneficiada com a construção da escolinha e da casinha do professor; a escola Viva Amazônia na comunidade Gaspar, recebe uma quantia regularmente, para manter a estrutura em funcionamento.

O maior projeto, contudo, é a Fundação Almerinda Malaquias, ong criada em 2000, que idealizou a implantação de um centro de educação e formação profissional para crianças, jovens e famílias da comunidade. Eles desenvolvem artesanato e design em marchetaria com sobras de madeiras amazônicas nobres. São móveis, utilitários como fruteiras, pratos decorativos, e miniaturas de bichos da fauna local. As peças são lindas e podem ser encomendadas por telefone, com a Rosemeire (92- 9398 – 6331). 

Em uma área de 32 hectares de floresta, perto de Novo Airão, a Fundação detém ainda o Espaço Ekobé, concebido como um centro de sensibilização e pesquisa sobre o meio ambiente. Para estimular o desenvolvimento do ecoturismo, há uma trilha guiada, e gratuita (sob agendamento), de 2.4 km dentro da reserva, percorrida em 1 hora e meia. Os alunos vão explicando cada trecho, como uma maneira de exercitar os saberes. 

O bacana foi poder conhecer tudo isso de perto, com a presença do Ruy Citone, presidente da Fundação e sócio do Katerre e do Mirante do Gavião, empresas mantenedoras do projeto. 

Está gostando da viagem?

No próximo post da Expedição Katerre tem mais sobre a experiência em um barco na Amazônia. 

Crédito das imagens: Ruy Tone e Thais Antunes

Entre em Contato

Ligue para +55 11 3287 6886 ou deixe sua mensagem