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Bar Espírito Santo

Polvo, uma paixão

Onde comer polvo em São Paulo? No bar Espírito Santo, uma casa portuguesa (com certeza!), no coração do Itaim Bibi

Não conheço ninguém que gosta “mais ou menos” de polvo. O molusco desperta aquele tipo de atração passional –ou se odeia ou se ama. Faço parte do segundo grupo. Se tem polvo no cardápio, peço de primeira.

Quem morre de amores pelo molusco sabe o quanto é difícil encontrar um que fique macio e saboroso, sem ser borrachudo. E para chegar ao ponto al dente, as receitas são tantas que a gente desiste só de ler. Eu mesma já estraguei um polvo fresco, em Paraty, seguindo o modo de cozinhar mais popular: cozinhar na pressão por 15 a 20 minutos com uma cebola. “Quando a cebola estiver macia, é sinal de que ele está no ponto.”, me ensinaram. Mas comigo não funcionou. Confesso que passei dos 20 minutos e o polvo, claro, virou chiclete. Outros dizem para “dar um susto” nele, em uma panela da água fervente, transportando em seguida para uma vasilha com gelo. Há quem recomende congelar o molusco antes de cozinhá-lo, enfim…

Tão intrigante quanto acertar seu cozimento é o próprio polvo. Um dos animais marinhos mais inteligentes, segundo uma amiga bióloga. Sei que seus tentáculos são oito, e que são a parte mais gostosa dele. A cabeça não é todo mundo que come, mas serve para o vinagrete: outra receitinha ótima e mais fácil de acertar – por fazer do polvo picadinho, disfarçando a textura equivocada.

O polvo do bar Espírito Santo, uma casa portuguesa, no bairro do Itaim, em São Paulo, é um dos mais incríveis que já provei. O tradicional “Polvo à lagareira”, grelhado com batatas, deixa um gostinho de quero mais. Já o “Polvo à Tasquinha”, chega à mesa em pedaços, sobre uma cama de cebolas e batatas. Para acompanhar, choppe, cerveja trincando de gelada ou um vinho branco gelado –ou um tinto encorpado? Com polvo, tudo vai bem. O segredo da maciez do molusco da casa, descubro entre algumas garfadas, é o cozimento à moda antiga, por mais de três horas, sem pressão. Quem sabe eu errei foi na pressão… Já me animo a tentar de novo. E quem quiser que conte outra maneira de prepará-lo. Daqui a pouco eu escrevo um livro!

Vá lá: www.barespiritosanto.com.br

Uma caçadora de histórias e maravilhas. Jornalista, escritora, cantora, viajante, cozinheira , aprendiz de dança, sempre em busca da próxima descoberta que desperte os cinco sentidos: o sabor de um novo prato, drink ou vinho (paladar), uma massagem, mergulho ou algo assim relaxante (tato), uma terapia com óleos aromáticos, chás com especiarias ou aquele perfume inédito (olfato), o pôr do sol visto de um rooftop ou as vistas mais incríveis para o mar e as montanhas (visão), e ainda um concerto, show, som ou simplesmente o barulho das ondas, do vento ou dos pássaros (audição). Rosane Queiroz foi editora da revista Marie Claire e da revista de bordo da GOL. Escreve sobre comportamento, gastronomia, sustentabilidade, viagem e lifestyle em publicações como Viagem e Turismo, Vida Simples, Folha de São Paulo, entre outras, além de atuar em produção de conteúdo de texto para livros. É autora de "Musas e Músicas –A mulher por trás da canção" (ed. Tinta Negra), livro reportagem em que conta quem são as musas inspiradoras de canções da MPB com nomes femininos. Na coluna Os Cinco Sentidos, compartilha experiências colhidas em suas andanças e viagens, com os cinco sentidos bem abertos. Mantém o Instagram @oscincosentidos.