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O que é que o acarajé da baiana tem?

Dei um bate-volta em Salvador, dia desses, para uma entrevista com Paloma Jorge Amado, filha do amado escritor baiano. Paloma é apaixonada por gastronomia e, entre outros textos, escreveu o livro “A Comida Baiana de Jorge Amado” (relançado recentemente pela editora Panelinha), em que pesquisou os pratos contidos nos livros do pai e traduziu em receitas.

Conversa vai, conversa vem, anoiteceu, e eu não poderia voltar para São Paulo no vôo das 21hs sem comer um acarajé. “Prove o acarajé da Cira”, aconselhou Paloma, citando uma das sumidades do quitute. O concorrente é o acarajé da Dinha, “tão bom quanto”, segundo o fotógrafo que acompanhou a entrevista. Deu para perceber  que são duas facções do acarajé: Cira e Dinha disputam a preferência.

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O fotógrafo , então , gentilmente se ofereceu para me levar a barraca da Dinha, simplesmente porque era mais perto dali. No caminho, passamos pela mítica casa do Rio Vermelho, na rua Andorinhas, 33, onde viveu o casal Jorge Amado e Zélia Gattai. O imóvel ocupa quase um quarteirão e tem um jardim imenso com mangueiras, jaqueiras, árvores gigantes semeadas por Jorge Amado. A casa está fechada, esperando se tornar uma fundação, mas valeu ver ao menos por fora. A barraca da Dinha, enfim, fica no meio de um mar de mesinhas, em frente a praia da Ondina. São os filhos da saudosa Dinha do Acarajé que hoje tocam o negócio. O quitute sai fumegando, inteiro ou desmembrado, num pratinho, para compartilhar. Uma festa para o paladar! O visual também é impecável , com o camarão seco, o vatapá e a saladinha separados — e uma pimenta das boas. Aproveitei pra experimentar o abará, o acarajé cozido, sem fritar. Mas ainda fico com a versão original, fritinha e sequinha, como tem de ser. Não sei se o da Cira é melhor, mas o da Dinha é muito bom!

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Endereço:
Acarajé da Dinha 
Rua João Gomes, 25, Largo de Santana, Salvador, BA.

Uma caçadora de histórias e maravilhas. Jornalista, escritora, cantora, viajante, cozinheira , aprendiz de dança, sempre em busca da próxima descoberta que desperte os cinco sentidos: o sabor de um novo prato, drink ou vinho (paladar), uma massagem, mergulho ou algo assim relaxante (tato), uma terapia com óleos aromáticos, chás com especiarias ou aquele perfume inédito (olfato), o pôr do sol visto de um rooftop ou as vistas mais incríveis para o mar e as montanhas (visão), e ainda um concerto, show, som ou simplesmente o barulho das ondas, do vento ou dos pássaros (audição). Rosane Queiroz foi editora da revista Marie Claire e da revista de bordo da GOL. Escreve sobre comportamento, gastronomia, sustentabilidade, viagem e lifestyle em publicações como Viagem e Turismo, Vida Simples, Folha de São Paulo, entre outras, além de atuar em produção de conteúdo de texto para livros. É autora de "Musas e Músicas –A mulher por trás da canção" (ed. Tinta Negra), livro reportagem em que conta quem são as musas inspiradoras de canções da MPB com nomes femininos. Na coluna Os Cinco Sentidos, compartilha experiências colhidas em suas andanças e viagens, com os cinco sentidos bem abertos. Mantém o Instagram @oscincosentidos.

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